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De muitas idéias que tenho tido, poucas delas eu tenho aproveitado realmente, em todo o caso duas me atrairam facilmente, na verdade dois testes que impus a mim, dar continuidade à uma história que tenho formado desde 2002, mas que fazem uns três anos que nem coloco os olhos nela, e uma história que comecei a imaginar e tenho desenvolvido à algumas madrugadas.

Hoje eu vou colocar aqui o que poderia ser considerado o prólogo da primeira história, da qual não irei comentar sobre enredo nem nada por ainda não ter formado completamente a idéia. O título originalmente pensado para ela seria O Último Vampiro:


Sexta feira, dia 13 de um dezembro gélido. Já passavam das dezoito horas, o dia iniciava o seu ritual tântrico de passagem para as trevas, tornando qualquer rua perigosa na cidade. O frio era grande, congelava sem piedade as águas e o sangue que escoavam pelos esgotos, permitindo sempre um suspiro de névoa na boca das pessoas.
A noite já estampava inteiramente no céu uma cálida massa de nuvens negras, a cidade já toda vazia, pontualmente o toque de recolher enxotara para suas casas pessoas amedrontadas e precavidas. Apenas uma mulher andava pelas calçadas frias de Bloody.
A cidade atraía seguidores fanáticos do demônio, turistas insanos, caçadores, milhares de vítimas e principalmente, vampiros. Era uma antiga cidade que servia de refúgio para essas criaturas, aquela cidade fora durante séculos, desde muito antes da Guerra, atormentada e assombrada pelos temidos vampiros, sempre conhecida como a cidade sangrenta, Bloddy City, a capital mundial do medo.
No céu espessas nuvens encobriam as estrelas e a névoa que descia dos céus escondiam as sombras rastejantes, apenas a delicada mulher passeava de rua em rua, de beco em beco, sem destino ou então caminho marcado, perambulava com passos suaves e olhar perdido até estagnar em frente a um beco mais escuro, adentrou o breu, sentou se em um caixote de madeira apodrecida e esperou.
Passava da meia noite, e os gritos, pouco a pouco, um a um foram formando uma trilha sonora macabra de uma já perdida sexta feira. Ouvia se gargalhadas cruéis e gemidos de dor, talvez um ou outro morador pode decifrar as vozes desconhecidas como um vizinho ou então um filho.
Sem se perturbar ou assustar a mulher não se movia, não piscava, mantinha o mesmo olhar vago para o nada. Com sua pele branca e cabelos loiros que caiam por seus ombros bem cobertos. Percebeu se então um arrepiante silêncio ocupar cada canto daquela maldita cidade. Sem medo a bela mulher apenas observou um ritual esquecido, a lua em um ritmo temível fez se presente, em sua forma cheia mais notável, em meio à nevoa e as nuvens negras, iluminando parcamente aquele beco.
– Boa noite. – ecoou uma voz grave por todo o beco.
– Boa noite. – respondeu a mulher, ainda imóvel.
– O que faz uma linda mulher sozinha, em um beco tão sujo? – questionou a voz vinda de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo.
– Não é da sua conta. – falou suave a misteriosa mulher, que erguendo se e saindo do beco, olhou triste para a lua que voltava a esconder se. – Não é você quem eu procuro.
E seguiu o seu caminho. Impávida e viva, sem ser seguida, ouvindo novamente milhares de gritos agudos e pedidos de socorro ocuparem a noite fria.

Bom hoje (e alguns dias) é só.

Opinem, façam uma autora feliz!!

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  1. Oi Adrianna, tudo bem?
    Meu nome é Aline, sou editora lá da Editora Baraúna. As vezes distraio um pouco no twitter da editora… e depois que você nos enviou seus blogs passei a lê-los. Mas esse post me chamou muita atenção. Fiquei muito curiosa em relação a mulher misteriosa, se ela é uma vampira e tal… Você já escreveu mais? Tem outros livros lançados?
    Abraços,
    Aline

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