Mudança de Hábito

Padrão

Da Diferença

Ela era acostumada com noites sempre frias, de medo e um desejo incompreensível tomando sempre conta de seus sonos. A noites insones, que aliás já sabia contar as horas pelas estrelas e mesmo quando o céu enegrecia por completo, sabia exatamente o momento em que o sol iria nascer. Era acostumada a uma vida dupla, de dias mal aproveitados e incomôdos, sem ânimo e alegria.

Acostumada a uma voz seca e decidida, a lhe falar sobre tempos que só conhecia por livros. A dedos finos e sem vida a tocarem sua nuca e sentir percorer um arrepio por todo o corpo. Era acostumada a receber um amor incomum, ao mesmo tempo atento ao mesmo tempo distante. Era acostumada a lhe cantar Rita Lee quando via que o dia já ia amanhecer.

Eram donos de uma paixão tórrida, daquelas que não medem limites, era chão, cama, sofá, amurada do jardim, portão de ferro do cemitério da cidade, prédio abandonado, edifício em construção.

Era senhora de uma de um amante exigente, ciumento e possesivo, perseguidor de seuss passos a partir do cair do dia, era acostumada a ter todos os desejos satisfeitos, sem nem ao menos ter de pronuncia los em voz, bastava pensar.

Mas naquela noite não iria ter seu vampiro a lhe satisfazer os desejos, esse jazia infeliz no jardim da sua casa por tentar satisfazer mais um desejo não pronunciado. Naquela noite se martirizava, sozinha, em um bar.

Essa noite, um estranho lhe sorrirá encantado, moreno de beleza selvagem, essa noite será diferente. Um ser igualmente duplo, assim como ela, lhe tomará a atenção, lhe esquentará mesmo sem lhe tocar, lhe contará história que não sabia existir e lhe fará gargalhar ao uivar para lua.

Nessa noite, acostumada a uma pele fria e esquelética recostar na sua para adormecer, sentirá firmes braços musculosos, cheio de um calor todo próprio, violento, desinibido e inebriante. Virá a se aconchegar nos braços dessa nova estranha criatura, e sentirá a deliciosa sensação de trair a velha espécie que outrora lhe amava.

Este mini conto, foi enviado para tentar uma participação no Fanzine Adoravél Noite do Adriano Siqueira. Foi a partir desse conto que elaborei a idéia do Victor e do Boris, vampiro e lobisomem respectivamente. Escrevi um conto com os dois, que ainda é inédito pois espero o resultado de uma seleção de antologia. E tem o conto O Uivo do Lobo, que já postei por aqui, esse só com o Boris.

Quem sabe da próxima vez escrevo uma história maior com os dois, não será por falta de vontade.

Beijos

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  1. Pingback: À Lua « Adrianna Alberti

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