Sexta – Feira 13 – Contos, edição 2011, CBJE

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  Segunda participação do ano de 2011, demorei a receber o livro e mais ainda para postar pois o  wordpress não estava nos melhores humores comigo. Mas vamos lá!

A participação foi no livro Sexta – Feira 13 – Contos, edição 2011 pela CBJE. A obra enviada para seleção foi Luz da Lua, que já postei aqui, no Recanto e no site da Editora Baraúna no blog Sentimento nos Livros. A Seletiva ocorreu em Feveiro e lançamento em Maio, mas só recebi o livro em Junho por isso a demora para publicar aqui.

Esse ano eu estou parada em escritas, então estou utilizando os contos já realizados e escrevendo apenas para temas específicos, ainda que pouco e sem ânimo para escrever.

Você pode conferir a Antologia Online pela CBJE, podendo conferir o trabalho selecionado. E o conto Luz da Lua pela CBJE.

 

Luz da Lua

“Distraída, seus olhos extasiavam se na dança sedutora das luzes das estrelas e com o charme indescrítivel daquela Lua Cheia, flutuava acima de seu corpo adormecido. Sentia todas as vibrações da Terra, a brisa suave do tempo cadenciando suas ordens de quando em quando e o calor que emanava dos corpos celestes transcedentais, em uma harmonia antiga, eterna.
Bailava sem sair do lugar, ligada por um fio brilhante e tenue à massa corpórea esguia deitada na rede da varanda espaçosa. Sorria, e sem porque emanava felicidade. Sentia o próximo, sentia sua presença enternecedora à distância, sabia o ligado a si, suas almas, suas mentes, inexplicavelmente enlaçadas.
Da luz da Lua Cheia a face tão conhecida sorriu lhe, sedutor e poderoso, dono de si. Cada fibra de seu corpo sentia a intensa vibração oriunda daquela direção, aqueles pontículos de luz do luar penetravam sua pele etérea, faziam na sentir se completa finalmente.
Jamais se tocavam, jamais sentiam suas peles finas e transparentes colarem se como imãs inseparavéis. Mas preenchiam se mutuamente com o calor do coração, com o vigor de suas juventudes perpétuas, com os fluídos alucinógenos que despreendiam de suas bocas distantes.
E de seus lábios ávidos escaparam feitiçarias ancestrais, e então puderam sentirem se, tatearem se no vazio infinito do nada. Não mais etéreos, uniram se sôfregos como só dois amantes distantes sabem. Ela lhe proferia palavras rimadas aos ouvidos, enquanto ele lhe cravava os dentes nos seios ofegantes.
Escorria seu sangue sagrado pelos flancos, sugados pelos lábios delicados do imortal amante. Trocavam seus fluídos ardentemente, disfarçados de saudades mortíferas, brincavam de loucuras indecentes, disfarçadas de fantasias infantis. Estrelas cadentes lhe forneciam maravilhoso espetáculo, ora iluminando, ora obscurecendo cena de erotismo animal.
Satisfeitos enfim, enroscados. Ele roçava os caninos pelas bochechas dela, numa brincadeira intíma. Ela tentava enrolar os pêlos de seu peito nas pontas dos dedos, distraída e contente. Ele admirava a beleza jamais perdida em encarnações diferentes, ela extasiava se com a imutavél expressão de prazer de seu amado. Ele mordiscava lhe as carnes de seus braços, fazendo a rir, ela lhe acariciava a barba sempre rala e observava aquele rosto eternamente jovem.
Valsavam no ar, rodopiavam entre insetos imperceptiveis, sorriam satisfeitos do enfim reencontro. Era um sonho bom, reviviam a paixão que não teve princípio e nem há de ter um fim. Conheciam sua unicidade, a antiguidade de suas existências e eternidade de sua união. Ele sorriu lhe mais uma vez, grato. Ela dançou somente à ele pela última vez.
Despertava lhe o corpo de um arrepio quente, encolhia se nas tranças que pendiam da rede feita à mão, acordou sorrindo. Seu corpo tomado de energia indizível, um tesão indescritível e um desejo incompreensível.
Miou lhe a gata preta manhosa da soleira da porta, chamando a para dormir na cama aconchegante, roçou lhe nos pés outro gato, um branco, que saiu saltitante pelo gradil do portão. Admirou a luz da Lua Cheia e percebeu um último brilhar de estrela cadente.

Eu não recordo se foi o Henrique ou uma amiga minha que comentou que eu estava escrevendo bem, pois conseguia ser extremamente subjetiva em tão poucas linhas. Apontando especificamente para o trecho:  “Bailava sem sair do lugar, ligada por um fio brilhante e tenue à massa corpórea esguia deitada na rede da varanda espaçosa” .

Um adendo aqui a última capa (não sei o nome ao certo), com o fundo branco e um gato preto! Achei muito bonita essa arte!

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