Arquivo da categoria: Literatura Fantástica

Ebooks na Amazon

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Hi!

Hoje uma grande novidade, estou com dois contos sendo vendidos pela Amazon: Nos Braços da Tentação publicado na antologia VII Demônios – Luxúria; e Rofia, O Devoto publicado na antologia Amores Proibidos – Meu Amor é um Mito.

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Afim de um pouco de blues, demônios, sexo e perdição? Para adquirir clique aqui!

Ou então, quer saber até onde a devoção de um homem pode levá-lo?

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Os ebooks são bem baratinhos! Aproveitem!

Beijos

Processo Criativo!

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Olá!

Hoje vou postar um pouco sobre meu processo criativo. Eu acho que para escrever precisa, sim, de um pouco de inspiração, o que ajuda muito no processo criativo é música.

Para mim alguns gêneros musicais me ajudam a pensar em histórias inteiras, outros casos, músicas específicas me inspiram a um personagem, há também alguns casos em que os cantores(as) aliados ao tom de voz e à música que produzem que instigam uma história, um personagem, o clima de uma ideia… Enfim.

Hoje eu vou dividir um pouco a música que me introduz ao (meu) universo vampírico. Quando que quero escrever com vampiros e não consigo desenrolar a escrita eu coloco músicas como HIM, Apocalyptica e músicas com pegadas mais sombrias.

Há casos em que uma única música me inspira tanto que diversos contos tem ela de fundo, é o caso de Fantasia em O Grimoire dos Vampiros, e outros contos em que há relação entre uma bruxa e um vampiro por exemplo. Essa música é Bittersweet do Apocalyptica com Ville Valo e Lauri Ylönen

Como acontece? Bom, na minha concepção vampiros são sombrios, mesmos aqueles que não vão estripar ou sugar até a última gotícula de sangue, eles são misteriosos e superiores de uma forma natural, sem exageros (embora o exagero não esteja totalmente excluído de suas personalidades), em geral meus vampiros são também distantes e sensuais. E combinam especificamente com esse tipo de música citada acima, com um clima sombrio e gostoso de ouvir. Então, no meu processo criativo há uma espécie de ligação entre personagem-história e a música. Se ao escrever um conto ouvindo a música e a melodia dela passa de suave para pesada, eu acabo acompanhando a melodia e descrevendo cenas de suaves e delicadas para tensas e sensuais.

Bom, hoje eu dividi um pouquinho do meu universo vampírico com vocês! Da próxima pretendo trazer um fundo do universo das bruxas ou dos demônios…

Beijos

Alita e o Rei

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Um conto inédito, também enviado para uma antologia que por falta de procura acabou cancelada. Esse conto escrevi logo após terminar de ler As Mil e Uma Noites, Sherazade é mestra e quando crescer quero ser igual a ela.

 

Alita e o Rei

A magnífica princesa sentou se então no centro da roda, o sol no meio do céu lhe iluminava especialmente, cercada do ancião contador de histórias e também de toda a platéia que estava ali para ouvir o velho do deserto, pediu lhe desculpas e solicitou a palavra, prometeu lhe uma história inesquecível e assim iniciou:

“Essa história, eu ouvi de minha mãe, nossa rainha, sobre seu avô, meu parente distante e de como o nobre rei tornou se conhecido como é.”

‘Desde criança seus olhos sempre demonstraram a altivez de sua linhagem, menino branquinho, de bochechas rosadas, gênio quase indomável.

Criado pelos melhores para ser o mais grandioso homem que sua família jamais vira: dos sábios aprendeu o conhecimento antigo e as idéias novas, de seu pai, o vigor, o controle, a sede de poder e o desejo pelas mulheres, dos grandes generais descobriu o trabalho árduo, a força física e a arte da estratégia e da guerra, e dos encantos de sua bela mãe aprendeu a ludibriar as mulheres, ama-las, respeita-las e principalmente a teme – las.

Quando no auge de seus vinte anos o pai faleceu, assumiu o trono e governou com mãos de ferro, anexou imensas terras às suas, tornando o pequeno reino no maior de toda a redondeza, casou se e teve filhos e filhas para seguir seus passos e continuar seu grandioso trabalho.

Possuía as mulheres mais belas de seu reino, amantes constantes e secretas, das negras de cinturas e seios fartos, das raquíticas mulheres naturais do reino de pele branca e pintas por todo o corpo e cabelos de fogo às mulheres vindas do sul cor de bronze e olhos astutos e silêncio servil.

Porém depois de anos de vitórias, glórias e conquistas, o rei notou estranha mudança lhe ocorrer, não sentia mais vontade de guerrear e tomar reinos ao redor do seu, não mais tinha atenção para acompanhar seus soldados, nem mais disposição para estudar as descobertas dos sábios. Empalideceu e perdeu a definição de seus músculos invejados e desejados, não possuía mais o desejo por suas mulheres e nem mesmo à cama da rainha, sua esposa, ele comparecia todas as noites. Perdeu seu esplendor de rei, de macho, de pai, de guerreiro.

Adquiriu uma rotina manhosa, alimentada por Naila, sua fiel e gentil serva, e em seus afazeres mantinha se sentado no pequeno trono adaptado na sacada de seu suntuoso quarto no palácio.

Rainha, conselheiros, sábios, todos preocupados iniciaram festins e comemorações para agradar ao rei. Eram dias e noites com dança, música, animais exóticos, mulheres exóticas, até uma arena improvisaram para que homens lutassem até a morte para aguçar a sede de sangue do rei.

Seguiram se dias, semanas, meses e cada vez mais o reino tornava se o ponto de encontro dos espécimes mais engraçados e misteriosos. Todo o aparato militar do reino era, destinado para a segurança do próprio, foram tempos de paz monótona e infeliz.

Os meses tornaram se anos e depois de sete anos, o rei já havia desistido, procurara magos, feiticeiros, religiosos vindos do deserto, plantas, sucos, ungüentos, testou todo conhecimento que o seu mundo poderia possuir.

O rei confidenciava seus desejos à fiel serva Naila, menina simpática, de magreza infindável e de olhos perspicazes. Numa noite ela pediu a permissão do rei para que as mulheres de seu povo, banidas à muito tempo, pudessem dançar ao rei, justificou se afirmando que eram as únicas que ainda não haviam tido a chance de reanima lo devido à proibição secular. E assim o rei permitiu.

Naila preparou com esmero a noite, e o rei aguardava sem ansiedade alguma, para ele era só mais um grupo qualquer que iria entreter a rainha e todo o resto da corte.

O ambiente estava repleto de incensos desconhecidos, de cheiros adocicados e fortes, enormes pedaços de sedas vermelhas, violetas e pretas caiam dos cantos do grande salão, toda a mobília do salão fora retirada e dera lugar à grandes almofadas negras, tapetes de desenhos peculiares e taças enormes de vinho.

Um tambor ao longe começou a ser ouvido, depois outro e outro. Duas meninas pequenas surgiram pelas portas frontais cobertas de roupas coloridas, saltitando e cantando, em voz baixa, então surgiram mais e mais mulheres, todas da cor do bronze, de olhos arredondados vivos, de cabelos presos da cor da noite.

Os homens no lugar paralisaram como encantados, até mesmo o rei, sem perceber, demonstrou depois de anos curiosidade e atenção.

A noite seguiu com danças de sua cultura, sensuais e maliciosas, decidas e vigorosas, em momento nenhum elas encostavam os homens, mas em todo momento eles se sentiam tocados, desde a pela macia da face, até as partes cobertas de roupas, sentiam seus membros reagirem e desejarem incontrolavelmente dançar com aquelas mulheres.

A dança culminou com a apresentação de uma única dama, trajada de outro e pérolas, de rubis e diamantes, todos, inclusive o rei, renderam se a ela àquela noite. Com sua dança misteriosa e seus movimentos iguais a de uma serpente.

Ao fim das festividades, o rei ordenou pela primeira vez em anos, exigiu que Naila apresentasse àquela mulher à ele, A dos olhos castanhos claros. Ele repetia encantado.

E alegre Naila a apresentou, Alita, a de olhos claros, a de pele mais bronze que todas as outras, a que possuía o desenho de um olho em sua nuca.

Por muito tempo o rei contentou se em admira la, conversar e exibir se para a jovem. Por muito tempo o rei tomava o vinho que ela servia e ouvia suas histórias, assistia, compenetrado, suas danças, seguidas, sempre das duas pequenas meninas de vestes coloridas.

Quando Alita aceitou deitar se na cama do rei e assim tornar se sua única amante, e era essa sua única condição, o rei sentiu se como em seus grandes tempos, e assim iniciou um novo tempo.

Novamente seu reino cresceu dessa vez mais forte, mais decidido, mais dominante, seguindo as sugestões de Alita, o rei tomou todos os reinos ao norte e ao oeste, também subjugou os sábios e conselheiros, que nada puderam fazer a não ser aceitar.

O rei havia proibido casamentos sem sua permissão e depois disso, as nobres famílias viram se obrigadas a casar com a plebe, apenas o rei detinha poder, tanto em riqueza quanto em sangue.

Alita tornou o rei um homem mais do que centrado, tornou o um homem que não divagava mais, era astuto na medida em que deveria ser. Era rei, na medida em que deveria ser.

Numa noite, a rainha desesperada, realizou sua última tentativa de trazer o rei à sua normalidade, correu com um punhal para atacar Alita, que sossegada nada precisou fazer, num rompante mais desesperado ainda, o rei chocou se contra a rainha, ergueu a pelo pescoço e sacudiu a. Alita ria da cena, como se visse um gracejo do bobo da corte, a rainha chorava compulsiva e dolorosa. No dia seguinte o rei a condenou a morte por traição.

E depois de alguns meses, deitado após ter sido satisfeito por Alita, o rei a questionou porque de sua sina estranha, pois era apenas por ela que ele movia se e governava, nada ainda lhe trazia vontade de viver, apenas ela.

Alita coberta por um lençol de seda apoiada no parapeito da janela riu se. Tornou para o rei e sentenciou:

Meu caro senhor, o que irei lhe contar é um feito grandioso, não apenas para mim, mas para toda a minha tribo.

Fora primeiramente envenenado, para que todos os seus desejos fossem mortificados, cada gole de seus líquidos, cada pedaço de seu alimento, possuía um veneno peculiar, que lhe foi tirando toda a sua vontade de viver. Naila é bem sabida dessas artes, por isso fora escolhida por nós para ser sua fiel e leal servidora.

Depois meu senhor, tudo fora por capricho, passamos sete anos rindo da verdadeira brincadeira que armaram para o senhor, sabe, fora uma sugestão de Naila à nossa rainha que logo a acatou.

Quando percebemos a fragilidade de toda a estrutura de seu reino, decidimos agir, não precisou de muita saliva para que aceitasse à idéia de nos trazer para o reino, para a apresentação em que me conheceu.

O rei em nada a contrariava, em nada a destituía de razão, ouvia a sentenciar toda a verdade calado, e por vezes sentia se completamente admirado por sua esperteza e por fim ela concluiu:

O senhor sabe por quê as mulheres das aldeias do sul foram banidas? Porque desde há muito tempo somos temidas por nossa sabedoria, nossa magia mais poderosa, seus sábios temiam por suas posições confortáveis, temos gênios e fadas e magos, todos sob nossos comandos.

Demoraram anos até o filho fraco nascer, o senhor nascesse. As minhas queridas irmãs rezaram corretamente no dia em nos conhecemos meu senhor, aquela, fora uma dança de noivado, uma apresentação de uma noiva a um noivo, a minha apresentação ao senhor.

Porém, não somos mulheres servis como pensa, e amanhã logo cedo meu amor, eu sei que irá anunciar nosso casamento, e com ele, meu governo, e sabe porque eu sei? Porque eu o encantei para me obedecer, cada vez que tomou o meu corpo para si, cada vez que beijou minha boca, cada gole de vinho, ou melhor, cada gole do meu sangue, foi se tornando cada vez meu leal servo, amanhã serei rainha. Amanhã finalmente, as mulheres das tribos do sul tomaram o poder meu senhor.

E sentou se ao lado do tolo reizinho, que fiel e leal servo que tornara se, beijou as faces de sua senhora, deitou se na cama e dormiu.

E nunca mais aquele rei fora rei novamente e até hoje somente por ter sido consorte de Alita é que ele é reconhecido. ’”

E o público olhava surpreso, a princesa sentia se rejubilada, levantou se e despediu se agradecendo por lhe darem à palavra, e todos como que encantados só notaram que ela se fora quando a lua despontava no céu e o seu perfume se desfazia com o vento.

 

E então o acharam?? Beijos

À Lua

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Uau, finalmente uma obra inédita, esse conto havia sido enviado para a seleção de uma antologia, porém ela não obteve muita procura e foi cancelada, infelizmente, porém fica aqui o conto para vocês:

À Lua

Poucas são aquelas que sentem as vibrações da lua tão intensas, por baixo da pele, como a onde provocada por um grito que sinuosamente toma conta dos músculos, da corrente sanguínea até sentir a alma tomada por completo. Poucas são as mulheres que sentem essas freqüências mudas que falam ao nosso instinto e eu posso dizer que sou uma delas.

Posso não saber decifra las, mas me acostumei a senti las pelo corpo, despertando algo em mim, que eu não sei explicar muito bem, mesmo hoje, depois de tudo o que li sobre as mulheres dedicadas à Deusa, ou as anciãs muito antigas africanas. Sinto essas ondas pulsantes em meu corpo, quando o percebo querer fugir de mim.

Naquele dia logo pela manhã acordei incomodada com algo, não conseguia prestar atenção direito em quase ninguém, minha rotina estava visivelmente mais enfadonha que o usual. Fui à faculdade como de costume, li e reli várias vezes os textos para a pesquisa. Escrevi muito mal três páginas de caderno de conclusões e mesmo após reler tudo novamente, não sabia ao certo do que se tratava. As paredes da biblioteca pareciam que iam cair em cima de mim, as janelas com grades grossas me sufocavam, olhava tudo com tamanha impaciência que mal pude esperar para ir ao estágio.

O sol se punha no horizonte quando finalmente peguei o ônibus de volta para casa e depois de meia hora de sacolejante trajeto, ao descer no ponto perto de casa, três quadras, uma brisa de fim de tarde fez esvoaçar meu cabelo, reavivando a ânsia de estar fora de mim mesma.

Lembrei tempos antigos em que nessas épocas do mês, entre a Lua Nova e a Lua Crescente eu me vestia com esmero, me maquiava como a uma bonequinha de luxo, pisava o chão em cima de um sapato de salto alto e saia para dançar a noite toda. Escolhia um belo espécime de homem e lhe dava uns poucos beijos para saciar o desejo, voltava para casa e dormia feliz. Com toda certeza meu namorado não aprovaria essas atitudes.

Liguei para ele para saber sobre seu dia, minha voz estava quase que implorando para que ele me chamasse para sair, mas o ouvi reclamar sobre um trabalho de última hora e que ficaria naquilo a noite toda. Suspirei irritada, olhei para o relógio e não eram ainda nem sete horas.

Segui meu ritual noturno, tomei meu banho morno e saí, saltitante, enrolada na toalha vermelha, ouvi meu pai de longe ralhar comigo, dizendo que eu já era grande e deveria sair com roupas do banho, mostrei lhe a língua em sinal de brincadeira e fechei a porta do quarto.

Não me vesti, liguei na tomada a pequena fonte e fiquei ali encantada por alguns minutos vendo a água percorrer todo o caminho terminando no colo das nereidas que enfeitavam a fonte, ascendi o incenso de violeta africana que eu tanto amava e duas grandes velas na prateleira, rocei os pés na gata. Desliguei a luz e deitei na cama.

Pedi silenciosamente para que toda aquela vontade furiosa de liberdade e curiosidade fosse satisfeita, que eu não traísse nem enganasse ninguém nesse percurso, sem perdas nem danos à ninguém, mas que eu conseguisse acalmar o grito louco que me escapava da alma.

Então decidi sair, olhei para fumaça que saía do incenso e pude notar um sorriso a me apoiar e me senti segura. Escolhi meu vestido preto decotado, acabava um pouco acima dos joelhos e dava um ar juvenil à minha face cansada, uma sapatilha preta e não me maquiei, quis sair como viera ao mundo, apenas me enfeitei com uns brincos e pulseiras e saí sem rumo.

Deixei meus instintos e às estranhas vibrações guiarem o carro para onde fosse possível, rodei por uma hora pela cidade até parar por conta de um semáforo fechado na esquina de um prédio de fachada vermelha e roxa, com um nome brega, contornei e entrei naquele lugar mesmo. O local me fez pensar se minha mãe não iria para lá, ou então minha avó, era um lugar com partes abertas partes fechadas, a fechada em especial tinha um palco e uma banda pop tocava uma música em inglês pobre, o lugar fedia a cigarro sentei do lado de fora, com vista especial para lua, que senti sorrir para mim.

Pedi um refrigerante, afinal ainda teria de dirigir de volta para casa, deveria mesmo era ter vindo de táxi, queria beber uma vodka.

– Mulher nunca deve beber sozinha, me permite?

Aquela voz soou feito encanto, um belo moreno de aparência perdida me pedia permissão para beber comigo, dois pares de olhos verdes e os cabelos desgrenhados negros davam lhe um ar um tanto selvagem, de calça jeans, uma camiseta de banda de rock antigo e um sorriso convidativo. Não me deixou outra opção se não permitir. Ele sentou se ao meu lado e por algum motivo algo em seu jeito condizia com a minha ânsia.

Conversamos por tempo indeterminado. Falávamos sobre música, danças, bebidas, shows de rock, bandas que só conhecia pelo meu pai, sua voz era grossa e seu português precário, mas sua gargalhada era tão contagiante que sua rebeldia passava batido. Ele trabalha com construção e me perguntei se como pedreiro ou engenheiro, era o último de sete irmãos e se chamava Boris, ri mentalmente do nome, meu pastor alemão chamava se Boris, mas preferi não comentar. Ele ainda me contou tantas aventuras que não caberia uma noite reconta las, viagens e esportes que praticava.

Atentei especialmente em seus braços, parecia ser forte, do tipo musculoso mesmo, queria lhe tocar os braços, conferir, mas me lembrei do meu namorado, desisti. Sorri displicente encobrindo minhas vontades adolescentes.

Ele me irritou ao servir refrigerante em meu copo e resolvi brincar, molhei a ponta da língua do líquido colorido e encantei a bebida para que ela fosse um elo de nossos pensamentos. Ofereci a ele um gole, que servente tomou três goles sem perceber e no mesmo instante com o resultado que eu esperava pude ver seus olhos brilharem.

Comentei com ele sobre o calor que fazia e ele brusco colocou minha mão em seu rosto, disse que era a fonte da alta temperatura e me assustei, perguntei se não era febre ao que ele me confirmou ser sempre quente assim. Podia ler sua mente e estranhamente via cenas de campos abertos e sombras que pareciam grandes cães correram livres, sorri cúmplice de seus pensamentos, eu compartilhava aquela sensação de liberdade e calor ao tocar lhe os dedos, ele exalava paixão e eu satisfazia a minha no contato com sua pele.

Desviei meus pensamentos por segundos dos de Boris, senti passos virem em minha direção, um arrepio insistia em percorrer meus pelos. Pude ouvir em minha mente uma risada suave, irônica, um sentimento desafiador despontar no coração. Dei conta de uma nova presença na mesa ao sentir um perfume disparar meu coração, olhei atônita para o lado e fiquei completamente ruborizada, pude ouvir ainda um choro baixo parecido com um cão triste, aquele caim caim de quando brigamos com nossos cães e Boris me fitava decepcionado me fazendo corar mais ainda.

O estranho pediu licença à Boris dizendo que gostaria ele de me fazer companhia agora, este levantou derrotado, visivelmente contrariado, da mesa e cedeu lugar:

– Este é Hugo, um velho, e digo realmente velho, conhecido meu. – esboçou um sorriso de revanche e o viu sentar, saindo de forma tão silenciosa que não me despedi dele.

Estava tão encantada com o homem alvíssimo e tão bem vestido sentado à minha frente que nem pude notar quando ele me ofereceu um copo com vodka cheio de pedaços de morangos dentro, tomei delicada, cada gota da bebida e ao pedir mais um é que me dei conta da situação. Cercada de dois ilustres desconhecidos, aparentemente conhecedores e dominadores das suas vibrações estranhas. Olhava para um e conseguia ver nitidamente um lobo de orelhas baixas, entristecido por ter sido abandonado, olhava para o outro, minha mente me mostrava um homem frio, calculista de olhos vermelhos sedentos com uma taça nas mãos contendo um líquido grosso vermelho. Porque não? Falava uma voz baixa em minha mente, você é uma bruxa criada no instinto, dizia para mim mesma, um é lobo e o outro vampiro. Qual o problema?

Tentei encantar Hugo e nos ligar por elo de bebida como havia feito com Boris, mas esperto recusou e disse ao pé do meu ouvido:

– Não sou tolo como aquele lobo, sinto muito! Não vou ser enfeitiçado bruxa.

Puxou me para dançar e disse resoluto que já que eu queria dar vazão aos meus instintos ele ajudaria. Dançamos sem parar, nem sei que música, mas seu corpo tão junto ao meu embalava uma sinfonia nunca antes ouvida. Sentia me arrepiada com sua voz tão próxima, contava suas conquistas amorosas com frases picantes e maliciosas.

A certa altura, vi em minhas mãos novamente o copo de vodka com morangos, eu ria solta e livre, estava mesmo satisfazendo minhas vontades e ânsias de liberdade. Hugo pediu que nos despedíssemos, mordisquei o canto da boca em sinal de contrariedade e ele me olhou com tanta devassidão que quase me arrependi do que fiz.

– Uma última dança então, feche os olhos.

Sabia pelos meus próprios conhecimentos que estava dançando com ele, mas o que se desenhava em minha mente foi me preenchendo de excitação, foi transtornando meus pensamentos e pouco a pouco fui desejando não estar ali, apenas dançando. Pude sentir ele me morder, vociferar em meu pescoço buscando meu sangue, mas sabia estar simplesmente ali dançando com ele.

Quando a música acabou eu estava tão excitada que só consegui ouvi lo dizer para procurar quem realmente satisfazia minhas vontades e me dar adeus, ainda me despedi de Boris e peguei meu carro.

Cada rua parecia infinita, parei em frente ao prédio do meu namorado e liguei para ele, estava enfeitiçada por magia desconhecida, pedi para que ele descesse e saísse cinco minutos comigo, pois era urgente.

Fizemos amor como não me lembro termos feito um dia. Dei minhas forças à ele mil vezes aquela noite simplesmente para que eu pudesse me saciar. Terminamos enrolados entre lençóis e pernas, ele ofegava fortemente, falou algo referente a gostar de mim selvagem e sedutora. Sorri envergonhada e o vi adormecer. Vi Hugo e Boris em minha mente e agradecendo à vida adormeci nos braços do meu amor.

 

Para quem leu O Uivo do Lobo e Da Diferença podem conferir a idéia e a evolução do Victor e do Boris, mais ou menos… Bom quero as opiniões de vocês hein! Beijos!

 

 

Mudança de Hábito

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Da Diferença

Ela era acostumada com noites sempre frias, de medo e um desejo incompreensível tomando sempre conta de seus sonos. A noites insones, que aliás já sabia contar as horas pelas estrelas e mesmo quando o céu enegrecia por completo, sabia exatamente o momento em que o sol iria nascer. Era acostumada a uma vida dupla, de dias mal aproveitados e incomôdos, sem ânimo e alegria.

Acostumada a uma voz seca e decidida, a lhe falar sobre tempos que só conhecia por livros. A dedos finos e sem vida a tocarem sua nuca e sentir percorer um arrepio por todo o corpo. Era acostumada a receber um amor incomum, ao mesmo tempo atento ao mesmo tempo distante. Era acostumada a lhe cantar Rita Lee quando via que o dia já ia amanhecer.

Eram donos de uma paixão tórrida, daquelas que não medem limites, era chão, cama, sofá, amurada do jardim, portão de ferro do cemitério da cidade, prédio abandonado, edifício em construção.

Era senhora de uma de um amante exigente, ciumento e possesivo, perseguidor de seuss passos a partir do cair do dia, era acostumada a ter todos os desejos satisfeitos, sem nem ao menos ter de pronuncia los em voz, bastava pensar.

Mas naquela noite não iria ter seu vampiro a lhe satisfazer os desejos, esse jazia infeliz no jardim da sua casa por tentar satisfazer mais um desejo não pronunciado. Naquela noite se martirizava, sozinha, em um bar.

Essa noite, um estranho lhe sorrirá encantado, moreno de beleza selvagem, essa noite será diferente. Um ser igualmente duplo, assim como ela, lhe tomará a atenção, lhe esquentará mesmo sem lhe tocar, lhe contará história que não sabia existir e lhe fará gargalhar ao uivar para lua.

Nessa noite, acostumada a uma pele fria e esquelética recostar na sua para adormecer, sentirá firmes braços musculosos, cheio de um calor todo próprio, violento, desinibido e inebriante. Virá a se aconchegar nos braços dessa nova estranha criatura, e sentirá a deliciosa sensação de trair a velha espécie que outrora lhe amava.

Este mini conto, foi enviado para tentar uma participação no Fanzine Adoravél Noite do Adriano Siqueira. Foi a partir desse conto que elaborei a idéia do Victor e do Boris, vampiro e lobisomem respectivamente. Escrevi um conto com os dois, que ainda é inédito pois espero o resultado de uma seleção de antologia. E tem o conto O Uivo do Lobo, que já postei por aqui, esse só com o Boris.

Quem sabe da próxima vez escrevo uma história maior com os dois, não será por falta de vontade.

Beijos

Em comum

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Fantástica

Tão esverdeada, a grama orvalhada

Reluzentes micro florescências luminescentes

A pele roçando o caminho intocado

Divino!

Lá do alto, sol e lua, revesam

Em dança surpreendente

Discreta labareda excitante

E no fim, bem no meio, o poço

De teias sorridentes se enfeita

No mato os seres fantasmáticos

Maravilhados, murmuram orações

E a bela Alice, de cachos e laços

Pelo buraco embrenha se sem volta

Enfim sonhada e algoz

Última página, suas lágrimas e prismas

Murmura repetidas linhas escritas

Fantástica Literatura em mim

(04.11.10)


Doce Veneno

Sorvi cada gole como se fosse o último

Diziam as más línguas sobre um outro,

Com uma tal de fada verde

Mas esse veneno, era incomparavel.


Absorvia tuas linhas fantásticas

De repente confortavel, aconchegada

Deliberadamente entregue


E cada gotícula era sortilégio

Encanto e pulsão,

Cada palavra dizia me mais

Sobre os sigilos e ruídos do mundo


E inevitavelmente estava possuída

Fantasticamente viciada

O real agora era fantasma

E o sonho era anseio

(05.11.10)


Duas poesias sobre meu vício em literatura fantástica, cabe uma explicação sobre o que se trata, pois duas pessoas a quem mostreis anteriormente as poesias não compreenderam sobre o que exatamente se tratava as obras.

Bom fim de semana!

O Uivo do Lobo

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Boa tarde, trago hoje um conto inédito, escrito de última hora e como uma espécie de desafio, afinal, é o primeiro conto em que insiro realmente e tentei fazer como personagem principal, um lobisomem.

O Uivo do Lobo

Acordou novamente sonolento, sem forças, embora em suas veias correrem vida, fogo e vontade. Estava deitado no chão duro e cinza de uma rua escondida entre grandes avenidas, era aquecido por um emaranhado de pelos marrons e pretos, soltos e compridos, que serviam de acolchoamento para o chão.
Olhou seu corpo moreno, totalmente nu, suava com o contato dos pelos, bocejou preguiçoso, sentiu suas partes tocarem o chão da ruela, arrependeu se de ter ido tão longe àquela noite. Procurou ali entre os caixotes de papelão desfeitos e os pobres mortais que dormiam encolhidos pelo frio, algumas peças de roupas, não precisavam caber lhe perfeitamente, logo estaria em sua casa e poderia tomar um merecido banho.
Largou se na poltrona de tecido barato, ainda enrolado na toalha de algodão, sentia calor por todos os viventes da terra, suava e mal tinha saído do chuveiro. Coçou a cabeça molhada, remexendo o cabelo sempre desgrenhado, suspirou preocupado. Pegou seu celular e discou um número que sabia de cor, ouviu apenas os toques de chamada, sem, no entanto, ser atendido, por onde ela andaria?
Tocou o braço onde uma longa e esbranquiçada marca desenhava se do pulso ao ombro, forçou a mente a lembrar se onde havia ganho aquele presente, mas nada. Não lembrava se de nada da noite anterior, fora o que ainda havia feito ou visto enquanto ainda não havia tido o brilho da lua a espelhar seus olhos verdes.
Enfiou se nas suas calças jeans desbotadas, a camiseta preta com dizeres impronunciáveis em sua língua, jogou o cabelo para trás, calçou suas botas pretas e olhou para o relógio, ainda eram onze horas da manhã, teria tempo. Poderia encontra la antes da lua cheia desenhar se no céu.
Farejou os ares poluídos da cidade, andava tranquilamente por entre os rostos tão desconhecidos, todos ali vestidos de peles e tecidos grossos, ele apenas com a sua camiseta de rock antigo. Boris passava e várias mulheres sentiam seu calor, algumas se abanavam, outras viravam o pescoço para seguir ainda um pouco de seu cheiro. Mas sua fisionomia fechada e truncada não permitia a nenhuma delas ir a seu encontro.
Estagnou próximo a um casarão, velho e podre por si só, antigo, jamais saberia contar o tempo daquela residência por sua arquitetura, mas sabia que aquilo era velho. Sentiu o cheiro da morte que exalava daquela construção, sentiu um ímpeto de vomitar o nojo que sentia, mas engoliu em seco o gosto amargo daquele lugar. Sentou se em um bar, do outro lado da rua, observando, ouvindo e cheirando ao ar, por horas. Quando finalmente pressentiu que aquele era um lugar seguro, entrou por uma rua paralela, entrando por um muro escondido por altas árvores, no quintal do casarão.
Fungou o ar, farejou o perigo adormecido. Mas estava seguro, ainda faltavam muitas horas até o anoitecer. Entrou sorrateiro e silencioso por uma janela aberta, a casa por dentro era tão, ou mais, mal conservada. O cheiro de morte e decomposição misturava se ao cheiro de madeira apodrecida e úmida, novamente o nojo.
Seus pelos arrepiaram se, principalmente na nuca e nas costas, farejou novamente o ar, perigo, ainda adormecido. Logo alguns ruídos de passos chamaram sua atenção, subiu uma longa escada, passou por um corredor e ao final dele, uma porta entre aberta exalava um perfume conhecido, doce, suave. Sabia que não se enganaria.
Abriu a porta delicadamente, sem tentar tirar dela nem um rangido sequer, e a viu, sua Kemiah, agachada em um canto do quarto, totalmente escuro, a luz que banhava o lugar era apenas a luz que a porta aberta permitia passar, farejou aquele quarto, sentiu o medo absurdo que misturou se com o doce perfume. Tentou balbuciar alguma palavra, mas sabia que não deveria acordar nenhum perigo que dormia ali, seja qual fosse.
Aproximou se do corpo fragilizado da mulher, estendeu sua mão para o rosto delicado dela, ouviu por um instante ela farejar a pele e logo em seguida sentiu o corpo dela jogar se e aconchegar se em si. Tateou seu corpo e sentiu pequenas correntes de ferro prender lhe um dos tornozelos e o pescoço e sem muito esforço estilhaçou os elos, deixando apenas as peças de aço presas no corpo.
Carregou a por todo o casarão, ela soluçava em seu peito quente, sentia a mais fria que o comum, mas não se atentou, quis apenas retira la daquele cativeiro. Saíram pelo mesmo muro que ele pulou sem dificuldades, mesmo com ela em seu colo, caminhou apressado, parou apenas quando entrou em sua casa e a deixou estendida na cama.
Kemiah carregava marcas profundas no tornozelo e no pescoço, tocou com cuidado os ferros e descobriu serem feitos de prata pura, ainda bem que ainda não era noite, sentiu uma repulsa pela dor que ela provavelmente sentira durante a noite com aquilo preso à ela. Com cuidado livrou o corpo branco e desejado daquelas coisas.
Deixou a mulher dormir tranquilamente, sentia se cansado, realmente cansado, não fora difícil tira la de lá, mas de alguma forma ainda não se sentia livre do perigo, olhou pela janela e notou o delicado por do sol alaranjado abater se no vidro. Suspirou. Logo ela estaria curada.
Quando ao anoitecer, ambos despertaram de seus cochilos, algo estranho aconteceu. Boris tentou ao máximo livrar se do brilho do luar, sabia que enquanto não tivesse seus olhos brilhantes reluzindo aquele brilho, seria homem. Mas ao aproximar do corpo de Kemiah, afastar o longo e fino cabelo loiro de seu rosto angelical, algo o estarreceu, sua pele reluzia, reluzia um brilho temerosamente conhecido por ele, encostou a ponta do dedo na pele branca de sua amada e sentiu o frio percorrer todo seu corpo seguido de uma raiva quase incontrolável, uma raiva instintiva.
Caiu sentado na cadeira ao lado da cama, ofegava descontrolado, quis sair dali correndo, mas, logo seguiu o pensamento de quem deveria sair dali correndo era ela. Jogou o corpo para trás e caiu de costas no chão, mirou assustado a janela e a lua que já despontava nela, levantou se desesperado, não sabia o que fazer.
Viu a abrir os olhos claros, agora melancolicamente cinzas, sentar delicada na cama, apalpar o corpo, como que estranhando o próprio corpo e sorrir ao ver Boris no canto do quarto. Ela não reparou em sua fisionomia assustada, ela não o viu perceber pontiagudos caninos aparecerem no canto dos lábios com o sorriso.
Aproximar se de seu grande amor foi o suficiente para que ela o sentisse por completo, a mesma raiva instintiva despertando dentro de sua alma, o asco surgindo em seus pensamentos, o corpo quente, os olhos verdes, o corpo selvagem. Aproximar se foi o suficiente para que acordasse. Kemiah começou a chorar, confusa, lágrimas rubras lançavam se por seus delicados e profundos olhos. Manchou todo o rosto quando o tocou ainda mais confusa.
Boris a olhava num misto de pavor e tristeza. Deixou escapar um gemido uivado de seu peito, abaixou a cabeça e saiu do quarto inconformado. A ouviu pronunciar alguns palavrões, e ao deixar se novamente jogar na poltrona abriu os olhos, que irresistivelmente procuraram a janela mais próxima e a bela lua cheia que via se por ela.
Seu corpo tremelicou, sentiu o peito arfar de dor, sua pele descolava se do corpo, dando lugar a grandes e grossos pelos marrons e pretos. Todos os ossos começaram a partir se e estalarem modificando sua forma humana em algo parecido com um lobo, mas esse bem diferente, enorme, uivava de dor, de lástima, de resignação.
Kemiah chorava desesperada no quarto, rogando pragas e maldições aos que a transformaram naquilo. Sabia, ela também, o que estava prestes a acontecer, sabia que não tinham escolhas, não poderiam resistir aos instintos, afinal era apenas por isso que durava a tanto tempo aquela rinha. Sentiu os caninos, finalmente, sentia uma sede de sangue preencher seus pensamentos, sentia seus músculos gritarem. A cada uivo de Boris na sala, era um grito seu no quarto.
Despediriam se da forma mais cruel que poderiam, ela pois a partir daquela noite jamais veria novamente a luz do dia e nem poderia aproximar se com todo seu desejo e tesão de Boris, ele pois a partir daquela noite a repulsaria com toda sua força, sentia nojo de seu cheiro de morte e sangue, e jamais a encontraria dormir entre seus braços e beija la como faziam a mais de dez anos.
Atracaram se no encontro da sala com o quarto, seus corpos fortes e vigorosos destinados a destruição. O grande lobo alcançou o rosto da nova vampira abrindo um talho de carne de seus olhos a sua boca. Ela por sua vez conseguiu, em uma mordida, arrancar lhe um punhado de carne do pescoço. Choravam ambos na luta interminável.
Boris sentiu em suas unhas carne da barriga de Kemiah, ela por sua vez possuía entre seus dentes novos e dilacerantes mais um pedaço considerável de carne de lobisomem. Caíram no chão, cansados, Boris só teve tempo de gemer um uivo dolorido e distante, jogou se pela janela, estilhaçando os vidros, galgou rápido o topo do prédio ao lado e longe conseguiu vê la escorada na janela.
Uivou longamente, enquanto a luz da lua curava lhe os ferimentos. Ela devorou o primeiro humano, um moreno, alto, de olhos verdes, parecido com Boris. Ela ouvia uma vez por mês em todas as luas cheias, o uivo de um lobo a distância, odiava o, mas sempre chorava. Ambos sabiam que jamais estariam nos braços um do outro, a não ser para a morte e a disputa.”
Por hoje é só!